segunda-feira, 9 de maio de 2011

Supervalorização da medíocridade

Esse é um assunto delicado. Falar de futebol e seus ídolos sempre mexe com a paixão dos torcedores pelo esporte mais popular do planeta. Mas tem uma coisa que me incomoda muito e não vou deixar falar.

Eu sou jornalista esportivo. Como todo jornalista esportivo, gosto de esporte e principalmente futebol. Mas tem uma coisa que me incomoda na maneira como os profissionais de hoje enxergam o futebol. Digo isso pela discussão que ganhou força depois que o argentino Messi desandou a fazer gol esse ano pelo Barcelona. Estou de comum acordo que o cara é fundamental no time catalão e provavelmente vai levar o prêmio de melhor do mundo pela terceira vez. Mas daí a comparar ele com o Pelé? Com o Maradona?


Pelé ganhou três copas do mundo, fez mais de 1.000 gols e jogou por, pelo menos, 20 anos. O Messi não tem nem 10 anos de estrada. Tudo bem que ele fez 50 gols essa temporada, mas nunca ganhou uma copa do mundo... Se o prêmio Fifa de melhor jogador do mundo existisse na época do Rei do futebol, ele teria ganho todos enquanto jogava.

Mas eu percebi que essa supervalorização de alguns jogadores deve-se à vontade dos jornalistas esportivos de serem atores da história. Parece que esses caras estão mais preocupados em dizer: "eu vi fulano jogar!"

É quase como se fosse uma inveja de nomes consagrados do passado, que viram Zico, Garrincha e Pelé atuando nos gramados. É quase como se fosse uma necessidade estranha de se vangloriar... quase como se fosse uma conquista. Aí eu te pergunto: e daí quem você viu jogar? Ninguém vai ser mais ou menos importante porque VOCÊ viu jogar...

A verdade é que os jornalistas medíocres de hoje têm que aceitar que os jogadores medíocres de hoje nunca serão como as estrelas do passado. Pelé só teve um, Maradona só teve um, Ronaldo só um... Ronaldinho tomara que só um também. A dura verdade é que o nascimento de um craque não é uma coisa comum... por isso é tão importante. Mas pelo menos, companheiros de profissão, esperem o cara se tornar um craque... não façam de um garoto de 20 anos como o Neymar, um astro pop, porque aí sim ele nunca vai chegar onde seus antecessores chegaram.

sábado, 7 de maio de 2011

Um pouco de Sampa


Embora esteja passando um grande período em São Paulo, devo admitir que ainda tenho imensa dificuldade em andar por essa cidade. Minha referencia geográfica ainda é o tabuleiro do Banco Imobiliário.


Tenho procurado conhecer a cidade e “seus pontos turísticos” mas nem as revistinhas do hotel te ajudam muito lá. Fui consultar uma dessas revistas que tinha mais ou menos 100 paginas sendo que 60 paginas eram propaganda de puteiros, 20 de restaurantes, 2 sobre a corrida de formula Indy, que só soube desse evento porque estava na cidade.

Por essas e outras ainda não conheci pontos turísticos como a Praça da Sé, Liberdade, Mercado Municipal, Cracolandia...Locais famosos que conheci em Sampa foram o Masp e o Morumbi.

Quando fui assistir o jogo entre São Paulo X Santos fiquei na duvida se podia ir de bermuda. É aquilo, nunca tinha ido numa boate gay, né? Mas devo admitir que o estádio é bem bacana. Você compra o ingresso pela internet e passa seu cartão de credito direto na roleta. Não precisa ir na bilheteria. Sensacional!

Na parte externa do estádio tenho que concordar com a FIFA: Não há estacionamento. O estádio fica num bairro nobre da cidade, onde não há local para estacionar. Chega-se ao ponto de casas vazias serem arrombadas pelos flanelinhas para servirem de estacionamento. Um absurdo.

Como minha temporada nas terras dos bandeirantes ainda não acabou vou procurando gostar dessa cidade citando Caetano Veloso: “ Quando eu te encarei frente a frente não via o seu rosto. Chamei de mau gosto o que vi (...) é que Narciso acha feio o que não é espelho”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Réplica - 34 Coisas que as Mulheres Adorariam que os Homens Soubessem - Parte1

Navegando pela internet, deparei-me com o texto “34 coisas que as mulheres adorariam que os homens soubessem”. O texto em si é um tal de mimimi pra cá, mimimi pra lá que não tem fim.

Vocês são criativas quando resolvem reclamar! Como exercício, elaborei algumas respostas que, devido ao tamanho do texto (das reclamações, na verdade), publicá-las-ei separadamente, sendo a primeira parte nesta quinta-feira e a segunda na quinta-feira que vem.

1. Presentes fora de hora significam mais amor e mais boquetes.Inclusive os mais simples.
Não queremos boquetes simples

2. “Legal” não é a resposta que queremos ouvir quando perguntamos se estamos bonitas.
Legal é a resposta que damos para qualquer pergunta que nos fazem e no final das contas não faz a menor diferença.

3. Nós gostamos de ser surpreendidas com beijos, sem que isso signifique ir para cama depois de dois minutos.
Mesmo que seja de um estranho?

4. Nós sempre esperamos uma ligação e sentimos falta quando você não dá sinal de vida durante o dia.
Quantos anos vocês acham que a gente tem para querer controlar nossas vidas? 7?

5. Um bom sexo oral pode ser a diferença na classificação entre um “ótimo sexo” e um “sexo meia-boca.”
Idem

6. Nós ficamos desapontadas quando nos arrumamos toda pra sair e descobrimos que você vai com a camisa de ontem e de chinelo.
Não tenho culpa se você pediu companhia para ir ao mercado e eu não tornei isso o evento do ano.

7. Deixe para correr e tirar finas dos carros quando estiver sozinho. Nós dispensamos esse tipo de emoção.
Sentimos necessidade de dirigir alguma outra coisa desde que vocês passaram a dirigir nossas vidas

8. Não ache que arrasa com sua performance “britadeira” no sexo. É preciso muito mais para nos dar prazer.
Já que é hora de sermos sinceros, faça algo diferente do que fingir-se de morta.

9. Nós ficamos desequilibradas antes e durante a menstruação, mesmo sem motivo algum. Aprenda a conviver com isso.
Não seria melhor você culpar Deus do que nós, simples mortais? Que culpa temos se você sangra mensalmente?

10. Nós iremos questionar a sua masculinidade quando percebemos que você prefere assistir ao jogo ou jogar vídeo game do que transar.
Não iremos questionar sua feminilidade quando você levar sua amiga ao banheiro, mas bem que gostaríamos!


11. Você não precisa pagar a conta no primeiro encontro, mas saiba que vamos te achar mão de vaca.
Você não tinha cara que saiu comigo porque precisava de um prato de comida.

12. Consulte uma amiga ou um amigo gay quando for comprar um presente.
Para depois você ficar reclamando que essa “vaca da sua amiga” não pára de me ligar me chamando para fazer coisas?

13. Por mais desencanadas que sejamos, nós não queremos sentir o cheiro do seu pum ou o barulho do seu arroto. Principalmente dentro do carro.
Se você não gostasse de sentir cheiro de merda, não teria passado aquele carnaval em Diamantina antes de me conhecer.

14. Você fica sexy se barbeando, consertando alguma coisa, usando camiseta branca com jeans ou dirigindo.
Você fica sexy quando pára de reclamar.

15. Queremos ouvir o que vocês sentem. Se esforce e fale mais.
Sinto uma agulhada de Deus cada vez que você reclama de uma coisa sem sentido como essa.

16. Nós gostamos de discutir sobre sexo. Respostas como “foi gostoso” não bastam.
Nós não. Porque sua vontade tem que prevalecer sempre?

17. Se não nos sentimos amadas e valorizadas, nosso botão de “caça” é ativado automaticamente. Só leva um minuto.
Tem botão de caça, é?! E onde é que fica o botão “Desliga”?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Osama Bin Laden

Ele nasceu em 1957. Com 26 anos entrou em contato com grupos islamitas. Mesmo sendo filho do homem mais rico e poderoso da Arábia Saudita depois do próprio Rei, Osama se juntou ao jihad no Afeganistão para combater os Soviéticos, que tentavam invadir as terras afegãs. Durante o conflito armado com a União Soviética, as milícias islâmicas formadas por Bin Laden receberam ajuda direta dos Estados Unidos. Com armas e equipamentos militares, os norte-americanos financiaram a luta dos grupos guerrilheiros, que expulsaram os russos de suas terras.

Aí que começa a merda...

Os caras não conquistaram porra nenhuma, porque quando os EUA se metem em alguma coisa, sempre é com o intuito de ganhar. Até acredito que seja normal você querer algo em troca, mas discordo quando o preço é a sua alma. Pelo menos os russos foram mais honestos. Tentaram invadir e conquistar. Os EUA, como sempre, se fizeram de amiguinhos...

Mas voltando, depois da vitória sobre a União Soviética, Osama foi para o Sudão. Fundou a Al Qaeda ("A Base"). Atentou contra a vida do então presidente do país, Mubarak... esse aí mesmo, que foi deposto agora no Egito. Todo mundo sabe que o puto não prestava. Mas o cara não morreu. Pressionado pelos países árabes, o governo do Sudão expulsou Bin Laden e se apropriou do patrimônio dele. Aí o cara foi pro Afeganistão de novo. Renegado pela família, e sem a cidadania saudita.

Os fracassos sucessivos foram se confundindo com o ódio pelos grupos que financiavam, ajudavam ou apoiavam aqueles que deixaram ele e seus semelhantes naquela situação. E assim, Osama Bin Laden foi alimentando o ódio por judeus, xiitas e ocidentais de maneira geral.

Antes de derrubar as torres gêmeas em 2001, ele planejou e executou diversos atentados. Na Argélia, no Egito, no Quênia, na Tanzânia e até contra um navio americano atracado no Iêmen, em 2000.

Como ninguém levou o cara a sério, ele resolveu ousar. Em 2001, matou aproximadamente 3.000 pessoas nos ataques às torres gêmeas, em Nova York e ao Pentágono. Mas Bin Laden não matou apenas pessoas. Ele assassinou a confiança, o ego e a imponência norte-americana. Ele colocou no chão um símbolo do capitalismo dos americanos. A essência, a base da ideologia dos EUA. Daí em diante, o movimento imperialista estadunidense ganhou força na guerra contra o terror.

Alguns idiotas comemoraram a morte do terrorista mais procurado do mundo. Não consigo entender como um povo que se julga "de primeiro mundo", é tão ignorante. Ainda bem que existe uma minoria que raciocina. Durante as comemorações pela morte de Osama Bin Laden, um jogador norte-americano de basquete criticou aqueles que festejavam a "vitória".


"Foram necessárias 919.967 mortes para matar este cara. Foram necessários dez anos e duas guerras para matar este cara. Nos custou aproximadamente US$ 1.188.263.000.000 [R$ 1,9 trilhões, aproximadamente] para matar este cara. Mas estamos vencendo (sarcasmo)" - Chris Douglas-Roberts, ala do Milwaukee Bucks.

Enganam-se aqueles que acham que venceram a guerra contra o terror. O que os EUA fez foi criar um mártir. Se Osama morreu ou não pouco importa. Como acontece no crime organizado em todo o mundo, ou num exemplo mais próximo da nossa realidade, no comando do tráfico de drogas nas favelas brasileiras, quando morre um automaticamente outro toma o lugar. Então quando os jovens americanos fizeram aquela papagaiada na frente da Casa Branca, pode crer que ganharam mais algumas centenas de inimigos.

O que eles não entendem é que enquanto a política externa do país deles não mudar, dificilmente eles vão viver em paz. O Osama morreu, mas os grupos extremistas e terroristas não. E nenhum deles gosta da política dos Estados Unidos...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tudo vai se resolver: NA COPA!

Na segunda-feira passada (25.04) caiu uma tremenda chuva no Rio de Janeiro. Rapidamente, as mesmas ruas que alagam desde que eu nasci transformaram-se em verdadeiras piscinas olímpicas. Muita gente só conseguiu chegar em casa depois das três da manhã e todos os telejornais do dia seguinte abordaram a questão de modo incisivo: Como vai ser na Copa?!

Um dos secretários do incompetente prefeito Eduardo Paes rapidamente apareceu na tevê e foi enfático: O projeto das obras já está em poder da Caixa Econômica e que, uma vez aprovado, se iniciariam as obras. Essas teriam duração máxima de 18 meses de modo que tudo ficaria pronto bem antes da Copa.

Violência, desabamentos, enchentes, ruas sem asfalto, dengue, engarrafamento, tráfico de drogas e as mais variadas tragédias; Tudo o que acontece hoje no Rio será resolvido ANTES da Copa. E pior, pode ser que seja mesmo! Sabe o que quer dizer? Que só passamos por estes eventos nas últimas décadas porque faltou vontade política de evitá-los!

A impressão que eu tenho é que nunca ninguém morou no Rio, que o Rio de Janeiro é uma grande várzea. As pessoas virão de diversos lugares do mundo - seja para a Copa ou para as Olimpíadas - para este grande campo vazio, farão um grande evento e depois se vão. E os moradores? E as pessoas que vivem e trabalham aqui?! Como ficam?

Uma cidade do tamanho do Rio não pode se dar ao luxo de querer resolver todos os seus problemas quando um grande evento acontece. E depois, o que fica pra quem mora aqui? Vamos continuar a viver em meio ao caos? Não é assim que se governa!

Um blog começou a fazer um protesto de modo engraçado, embora vez ou outra se perca no tema com fotos fora do contexto. Segue o link:

http://querovernacopa.tumblr.com/page/4

Também vale lembrar do protesto de um carioca que se me recordo bem em abril passado ficou preso dentro de seu carro numa dessas enchentes e, revoltado, fez um desabafo:


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