quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um amigo meu...


Algum tempo atrás um amigo meu namorava uma garotinha que tinha 14 anos. Ele devia ter na época uns 17 pra 18 anos. A menina terminou com ele uma semana antes do aniversario de 15 anos dela.

Como todo mundo sabe, festas de 15 anos são sempre animadas e bem servidas e nós, “amigões” dele, falamos que a boa era ele ir na festa ate mesmo para tentar uma reconciliação.

Claro, que nosso interesse principal era não perder a festona, que seria no melhor clube de Niterói, e só teria sentido a presença dos amigões se fossemos juntos com ele. Para facilitar o entendimento da historia, irei chamá-lo de Sunda.

Dias antes da festa o Sunda se encontrava cabisbaixo, desmotivado e não queria ir de jeito nenhum. Chegando no dia, conseguimos convencê-lo de ir a festa.

A garotada toda animada, se arrumando, colocando camisa de botão (coisa rara pros caiçaras). Um outro amigo meu pegou a Fiorino dele e colocou todo mundo na caçamba pra irmos pra festa.

Como nós havíamos previsto, a festa estava alto nível, servida a base de uísque com tudo de bom e do melhor. O Sunda lá, cheio de pose, falando e abraçando os familiares, criando aquele clima de reconciliação.

O ápice da festa de 15 anos é a hora da valsa e claro, a dança com o príncipe. Nessa hora que o Sunda endoideceu. A ex já tinha um príncipe e não era o Sunda. Ela dançava e beijava apaixonadamente o novo namorado de uma semana. Todos nós ficamos estarrecidos.

Sinceramente, achei uma grande falta de respeito da menina, mas talvez tenha faltado maturidade também. Hoje, mais maduro imagino o que o Sunda passou naquela ocasião. Putz, o mundo do cara não poderia ter caído tão rápido de uma só vez. Tudo que ele tinha decorado pra falar pra menina ficou guardado e ele não teve a oportunidade nem de falar uma vírgula. Ainda bem que nós o seguramos e conseguimos evitar que ele falasse o que não tinha decorado e que queria falar naquele momento.

Saímos todos da festa bêbados e fomos rodar pela cidade em busca de sexo, XXX, rock rolll e como todo niteroiense, passamos na porta de todas a boate da cidade. Fomos do Oiapoque ao Chuí de Niterói, da Cantareira ao Le Village.

Neste caminho, fomos na casa de um dos amigos para pegar algo que nem me lembro o quê. O Sunda saiu da caçamba e se perdeu da gente. Procuramos por toda parte e não o encontramos. Não tínhamos mais nada a fazer do que irmos embora sem ele.

Claro que voltamos para casa preocupados, mas nem tanto ate porque estávamos bem alterados.

No dia seguinte, na praia, um conhecido disse ter encontrado e acordado o Sunda dormindo na escada de um prédio, num bairro razoavelmente distante de onde o tinhamos perdido.Disse que só o dispertou depois de muita insistência e tapinhas na cara. Quando encontramos o Sunda, ele ainda conseguiu piorar a historia cofessando que a escada que o acolheu naquela noite era do prédio de sua ex.

Menos mal foi que aconteceu com um amigo meu...

terça-feira, 13 de abril de 2010

"Cineastas" do Novo Século

Glauber Rocha foi um crítico e revolucionário do cinema brasileiro. Mas antes de se tornar diretor, era ator e escritor. Participou de movimentos estudantis, estudou direito por dois anos e se aventurou no jornalismo. Produziu e dirigiu diversos curtas-metragem, pensou cinema e, através da sua arte, criticou o regime Ditatorial que se instalou no Brasil em 1964 de maneira radical. Glauber é também o autor da famosa frase: "Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", que entendo como um incentivo aos compatriotas para que estes externassem sua arte, mesmo que com poucos recursos. O que eu quero enfatizar aqui é que Glauber Rocha tem sido mal interpretado pelos aspirantes a cineastas do novo século.

Entenda, não sou crítico de cinema, tampouco me considero um cineasta ainda. No meu entendimento, os filmes que produzo carecem de aprimoramento, tanto técnico quanto ideológico. Eu sempre serei o crítico mais ferrenho das minhas obras e prezo isso.

No Festival de Cinema "É tudo verdade!", que acontece nesse mês de Abril, no Rio de Janeiro e em São Paulo e que já está em sua 15ª edição, senti um certo clima de oba-oba e vi "diretores" com filmes selecionados para a competição nacional, mas que no entanto, não sabem dimensionar ou sequer explicar o que suas obras representam para eles mesmos. Bom, se os próprios não sabem, o público vai achar o quê? Em poucas palavras, acho inadmissível fazer um filme e não saber o porquê ou o quê ele significa. Para mim, isso é desdenhar da inteligência alheia e desmerecer pelo menos cinco gerações de cineastas, que pensaram o cinema nacional e trabalharam [cada um a sua maneira] para que ele alcançasse seu patamar atual.

É incrível o descaso desses novos "cineastas" com a prática fotográfica. Parece que todos querem ser revolucionários antes mesmo de aprenderem o básico. Nunca li um pensador que tivesse pensado tudo sozinho, sem antes ter se apoiado em uma linha de pensamento antecessora. Não conheço um artista plástico que não tenha se inspirado numa obra ou movimento anterior para criar a sua própria e a aí sim, talvez, revolucionar. Será que todos acham realmente que vão produzir filmes tão originais que vão ganhar notoriedade pública e prêmios polpudos?

Não adianta apenas ter uma idéia e uma câmera na mão, tem que saber executar a idéia e operar a câmera! Não adianta apenas querer, tem que conhecer!

Glauber, coitado, já deve estar de bruços...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os Argentinos, o Comunismo e os Smurfs


Não se vê na Argentina aquelas grandes placas de “SALE” pregadas nas lojas. Aliás, andando pela rua, se vê muito pouco qualquer coisa escrita em outro idioma que não o espanhol.

Eles levam isso a sério mesmo, a ponto de traduzir até mesmo os desenhos animados, coisa que o brasileiro consideraria algo impossível de traduzir. Conversando com um amigo argentino, ele me disse que lá, os Smurfs se chamam “Los Petufos” e mais, ficou indignado ao constatar que eu não conseguia parar de rir.

Nervoso, ele falava “Aposto que no Brasil vocês os chamam de algo ainda mais ridículo, algo como los petufinhos”. A idéia dos Smurfs no Brasil se chamarem Smurfs, para ele era algo inconcebível.

Se vocês, assim como eu, eram crianças nos anos 80, provavelmente se impressionarão com a informação com a qual me deparei: Na época, alguns comentaristas políticos acusaram o desenho Smurfs de fazer uma referência ao Comunismo.

Para fundamentar algo que à primeira vista parece tão absurdo, argumentavam que a Comunidade dos Smurfs dividia tudo fraternamente, não havia classes sociais e todos vestiam a mesma roupa, exceto o líder que não por coincidência, vestia vermelho.

Os grandes rivais dos Smurfs eram Gargamel e Cruel, dupla que representa o imperialismo, a vontade do imperialista em dominar o mais fraco. O Passatempo favorito de Gargamel era aprisionar os Smurfs e tentar transformá-los em ouro – em mais uma alusão clara.

E tem mais! A palavra SMURF seria uma sigla que quer dizer Socialist Men Under Red Father ("Homens socialistas sob o comando do “papai vermelho”).

Para ficar fora de toda esta polêmica, talvez “Los petufos” soe muito melhor mesmo.

sábado, 10 de abril de 2010

(Re) Lançamentos de Clássicos da Literatura



Grandes livros clássicos vêm sendo republicados pela Editora Abril, toda quinta-feira (Rio de Janeiro) e colocados a venda em qualquer banca de jornal pela bagatela de R$14,90. O volume desta semana é “Dom Quixote de La Mancha” de Miguel de Cervantes que confesso ainda não ter lido. Segue lista com próximos lançamentos:

  • 10/04 O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha – vol. I – Miguel de Cervantes
  • 17/04 O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha – vol. II – Miguel de Cervantes
  • 24/04 Hamlet, Rei Lear, Macbeth – William Shakespeare
  • 01/05 Ilusões perdidas – vol. I – Honoré de Balzac
  • 08/05 Ilusões perdidas – vol. II – Honoré de Balzac
  • 15/05 Orgulho e preconceito – Jane Austen
  • 22/05 O primo Basílio – Eça de Queirós
  • 29/05 Moby Dick – vol. I – Herman Melville
  • 05/06 Moby Dick – vol. II – Herman Melville
  • 12/06 O falecido Mattia Pascal – Luigi Pirandello
  • 19/06 O homem que queria ser rei e outras histórias – Rudyard Kipling
  • 26/06 Os lusíadas – Luís de Camões
  • 03/07 A metamorfose – Franz Kafka
  • 10/07 Outra volta do parafuso – Henry James
  • 17/07 O assassinato e outras histórias – Anton Tchekhov
  • 24/07 O morro dos ventos uivantes – Emily Brönte
  • 31/07 Mensagem – Fernando Pessoa
  • 07/08 Coração das trevas – Joseph Conrad
  • 14/08 O vermelho e o negro – Stendhal
  • 21/08 Cândido – Voltaire
  • 28/08 Os Malavoglia – Giovanni Verga
  • 04/09 Os sertões – vol. I – Euclides da Cunha
  • 11/09 Os sertões – vol. II – Euclides da Cunha
  • 18/09 Contos de amor, de loucura e de morte – Horacio Quiroga
  • 25/09 Infância –Maksim Górki
  • 02/10 Grandes esperanças – Charles Dickens
  • 09/10 No caminho de Swann – Marcel Proust
  • 16/10 Odisseia – Homero

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bipartidarismo


Após 20 anos, quero acreditar que a democracia no Brasil está consolidada mas ainda vejo que os atores politicos nao foram consolidados.

Além de sabermos do estratégico distanciamento geográfico imposto para o povo e os governantes que se escondem em Brasília que, inibe e afasta a pressão popular da política brasileira, estou vendo o surgimento de um pseudo bipartidarismo.

Nos 8 anos de governo do PSDB com FHC, e os 8 anos de governo do PT com Lula, esses dois partidos ganharam destaque no cenário político nacional e anunciaram seus candidatos desde 2008, quando a Dilma já inaugurava obras com Lula e o Serra visitava nordestinos sendo governador de São Paulo.

Essa idéia de escolher seus candidatos muito antes das eleições, tem a intenção de alimentar um debate único entre o PT e PSDB, fazendo com que nós ignoremos as outras ideologias políticas e outros candidatos, embora saibamos que na constituição brasileira de 88 o pluripartidarismo é clausula pétrea.

Por que estes partidos criarão novos adversários?
Convenhamos, o PT e PSDB possuem políticas semelhantes e a mesma linha ideológica, a Social-Democrata. Eles não darão oportunidade de novos partidos e adversários desconhecidos aparecerem no cenário nacional de forma alguma. Bem como os partidos aliados, que se contentam em ficar na aba desses dois manda-chuvas da política nacional em trocas de ministérios e alianças locais.

Nessa eleição veremos a Dilma atacar o Serra, e o Serra atacar a Dilma, criando a idéia de que temos um amplo debate democrático mas não se iluda, o que temos é a intenção da consolidação no Brasil de um bipartidarismo.

Vote em quem acredite, mesmo que não seja os favoritos, pois dessa forma você dará força para novas idéias.
Não se iluda, vote. Seja consciente!

Comentários Recentes