quinta-feira, 31 de março de 2011

Ninguém aqui é Santo!


Não sou advogado de ninguém. Nem estou aqui para defender o indefensável, mas espero que, antes de fazer qualquer espécie de julgamento, você ao menos leia atentamente sobre o que estou me dispondo a escrever.

É sabido que o Adriano, ex-jogador do Flamengo e atualmente jogador do Corinthians não é dos profissionais mais comprometidos com sua carreira. Resumindo, o cara faz um monte de merda com sua vida pessoal que afeta diretamente a sua vida profissional.

Já tem algumas semanas que eu leio coisas sobre a sua pessoa que provavelmente afetaria (e muito) a cabeça de qualquer um. Alguém aí conhece o Falcão, vocalista do Rappa?! Pois é, até bem pouco tempo atrás, ele namorava uma modelo chamada Isabelli Fontana e, como tantos e tantos relacionamento no universo, esse acabou. E o que o Adriano tem a ver com isso?! Pois é, a imprensa divulgou, como uma das causas do término, a amizade entre Falcão e Adriano.

Adriano voltou ao Rio e perdeu a carteira na Lei Seca porque negou-se a assoprar o bafômetro. Logo depois acabou postergando seu retorno a Itália e o que os jornais divulgam como motivo?! O lançamento da Revista Sexy de sua ex-namorada, Joana Machado.

Segundo a imprensa, Adriano teria ficado mais alguns dias para conferir a revista. Sério, gente, por mais imbecil que o sujeito seja, vocês acham mesmo que ele ficaria no Rio para conferir num pedaço de papel impresso algo que ele viu por diversas vezes ao vivo?! Se a resposta positiva (e eu duvido que seja), será que não teria como ele ter acesso a essas fotos da Itália?!

Não sou contra qualquer tipo de investigação policial. Se alguém está “devendo” algo ou cometendo crimes, deve responder a Justiça. Só que hoje foi divulgada uma interceptação telefônica feita no telefone de Adriano em 2009. Por que só HOJE, dois anos depois, foi divulgada esta conversa?

Talvez muitos não saibam, mas a divulgação desta interceptação telefônica a imprensa, por si só, é CRIME e não pode ser realizada (isso inclui TODOS os áudios que você ouviu até hoje no Jornal Nacional ou Fantástico). E o que havia de tão importante para que essas conversas fossem divulgadas? Nada. Só o Adriano fazendo piada com um primo sobre uma blitz policial na qual havia acabado de ser parado e nenhuma irregularidade constatada. Quem é que nunca fez piada da polícia depois de uma situação dessas?

Porra, o cara já é incontestavelmente maluco, não teve nenhuma instrução educacional e, da noite para o dia ficou rico. Precisa pegar no pé dele de maneira tão exagerada?!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Piores Capas de Discos

Sei que esta postagem não vai mudar a vida de ninguém, mas eu estava dando uma espiada numa lista de discos que marcaram a estória e dois discos em especial me chamaram a atenção.

Não que os artistas fossem famosos, ou a música fosse de uma qualidade impecável. Para dizer a verdade, eu nem cheguei a ouvir os discos, mas fiquei realmente impressionado com a feiúra das capas.

Elas não seriam uma pequena publicidade para o cantor ou banda? Ok, a primeira capa é uma tentativa de humor, mas nada justifica a segunda.

Aproveitei o tema e fiz uma pequena pesquisa. Algumas capas realmente assustam. Vejam só:

Vejam só os representantes brasileiros da lista:



E vocês, qual a capa mais esquisita que já viram?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eu não liguei, mas não quer dizer que eu não goste de você. Pelo contrário...

Texto muito interessante de Francisco Bosco. Vale tentar entender a dinâmica linguística do carioca!!

O indireto afetivo da linguagem no Rio

O escritor e poeta Francisco Bosco analisa o singular diálogo entre cariocas


No Rio de Janeiro contemporâneo há uma figura lingüístico-afetiva que pontua freqüentemente as relações sociais entre cariocas (ou entre um carioca e um ‘estrangeiro’). Não saberia dizer desde quando existe esse traço lingüístico, mas não me lembro da linguagem carioca sem a sua presença constante. Trata-se - e todo carioca ou qualquer pessoa que já esteve no Rio o reconhecerá - do famigerado diálogo:

- “Rapaz, há quanto tempo!”
- “Pois é, que bom te ver!”
- “Poxa, a gente tinha que se falar mais!”
- “É mesmo, vou te ligar.”
- “Mas liga mesmo, pra gente se ver, botar o papo em dia.”
- “Não, pode deixar, vou ligar com certeza.”
- “Beleza, então. Adorei te ver!”
- “Eu também, te ligo então. Um grande abraço!”

Isso ou variações.

Pois para muitos cariocas, que já estão mais do que familiarizados com o diálogo, e talvez sobretudo para os não-cariocas, que constataram perplexos o encaminhamento futuro dessas promessas, essa figura lingüística acaba por se configurar como uma situação de constrangimento. Afinal, todos sabemos que não haverá telefonema algum; todos, literalmente: a começar pelos próprios personagens da conversa. E a fórmula do constrangimento, já se disse, é precisamente essa: todos sabem que todos sabem e entretanto ninguém o pode admitir.
Curiosas sutilezas sociais. O que impede que se desencubra o não-dito do diálogo é que esse não-dito é uma mentira: não haverá telefonema, um não ligará para o outro, e vice-versa. Assim, o não-dito é mantido e desenvolvido, cria-se uma conversa sustentando a sua tensão: está plenamente configurada a situação constrangedora.

Mas o que faz com que a situação seja por muitos experimentada como constrangedora é justamente o entendimento desse não-dito, dessa promessa que sabemos sem fundos (“te ligo, com certeza”) como sendo uma mentira. Fulano disse que ia ligar, mas não ligou: mentira, portanto. Pior: fulano assegurou que ia ligar, enfatizou, sublinhou a promessa com todas as inflexões e entonações da convicção: mentira ainda mais grave, gravíssima.

Entretanto, tudo muda se pensarmos o recalcado do diálogo, o não-dito, não como uma mentira, mas como um modo indireto da verdade. Assim, o horizonte em que a promessa passa a ser verdadeira não é mais a sua efetivação posterior, mas o que, dentro dela, vibra afetivamente: “te ligo” passa a significar “gosto de você”, “vou ligar com certeza” traduz-se por “gosto muito de você”, e assim sucessivamente, a intensidade afetiva aumentando à proporção das entonações e expressões de segurança. Fernando Pessoa dizia que “a linguagem pode mentir, mas a voz não”. Ora, justamente, nesse fragmento de carioquês a verdade está na voz, no afeto que nela pulsa e se manifesta explicitamente. Mas, cabe então a pergunta: por que engajar esse afeto em uma promessa sem fundos, que se sabe não será cumprida? Por que comprometer sua verdade associando-o a uma efetivação que não ocorrerá?

A origem dessa curiosa figura sócio-lingüístico-afetiva é uma outra figura: uma sutil configuração da amizade que costuma se formar numa das curvas que o tempo impõe a determinadas relações. Essa configuração ocorre quando uma amizade intensa passa de um estado de intimidade diariamente atualizada - conversas freqüentes, presença física constante, confissões, vidas em permanente comunicação - para um estado de amizade em que a distância se interpõe e dispersa as trajetórias dos amigos, porém algo da intimidade da outra configuração resiste a essa nova forma e se mantém intenso, incólume à distância. Esse “algo da intimidade” se transforma em um afeto perfeitamente constante que, adormecido e escondido pela distância, emerge efusivamente na presença do amigo. Afeto à distância. Quase-intimidade que se evidencia, para deleite dos amigos, a cada vez que o acaso propicia um encontro. Mas, em geral, os movimentos divergentes das trajetórias de vida são irreversíveis, na medida em que atingem o processo de subjetivação de cada um dos amigos: os amigos já não são mais os mesmos, pensam e sentem de forma diferente, são outros, não podem ter a cumplicidade que tinham antes - não da mesma forma. O que resiste, o afeto, é resultado de uma intimidade de tal modo condensada que, por excesso, atingiu como que uma existência própria, interpessoal, portanto imune às mudanças de vida dos amigos.

Perde-se a intimidade, já não se sabe tão bem da vida do outro, mas fica, incorruptível, o afeto, que emerge efusivamente nos encontros fortuitos. Pois, justamente, é essa consciência (que pode ser apenas intuída, porém claramente) da perda irreversível da intimidade, da impossível recuperação da amizade, que virá a produzir o diálogo de que estamos tratando. O afeto é verdadeiro, é uma positividade, mas há em sua formação uma perda, uma impossibilidade: a da intimidade perdida. Isto é: telefonar seria um erro, seria apostar demasiadamente na improvável recuperação do estado antigo da amizade. Doravante a amizade é isso: o afeto efusivo, a alegria dos encontros fortuitos - que entretanto tenderia a perder a efusão se se tentasse um movimento restaurador. O recalcado do diálogo, o não-dito, se forma nesse ponto: é que seria duro demais trazer à tona o núcleo de perda e de impossibilidade que se encontra na formação de um afeto tão positivo, tão efusivamente manifestado. Opta-se por escondê-lo, e para tanto faz-se necessário mascará-lo com a promessa da restauração: “Vou te ligar”. Quanto maior a consciência - ou a intuição - da impossibilidade, e de quanta perda ela encerra, maior a necessidade de mascaramento: “Vou te ligar, com certeza”.

Assim, curiosamente, quanto maior a mentira, maior a verdade. A verdade do afeto não se subordina à efetivação da promessa, mas se manifesta, indiretamente, através dela: “Vou te ligar, com certeza” significa apenas “Gosto muito de você”, o não cumprimento da promessa significa a consciência (mesmo que intuitiva) da impossibilidade de restauração da amizade, e o recalcado do diálogo é o mascaramento protetor de um afeto delicado. Pois a verdade nua e crua, desprotegida, poderia ser muito... constrangedora: “Rapaz, há quanto tempo! Veja, gosto de você, fomos muito íntimos, mas hoje somos bem diferentes, não acredito que possamos retomar a antiga cumplicidade, por isso vamos apenas gozar desse momento de alegria fortuita, sem fazer promessas que não poderemos cumprir.” Logo o constrangimento também surge de um excesso de dizer, e não apenas de um não-dito gritante. Na verdade, penso, nosso famigerado diálogo carioca só se torna constrangedor se sua verdade nuclear - o afeto incorruptível - não for forte o suficiente para sustentar, à base de cumplicidade, a tensão do mascaramento. Quando o mascaramento é bem feito o diálogo transcorre sob intensa e efêmera efusão afetiva - e somente na despedida passa por nós a brisa de uma melancolia.

[in Banalogias, Francisco Bosco. Rio de Janeiro: Coleção Filosófica, Objetiva, 2007]

terça-feira, 22 de março de 2011

Os Narradores

O espanhol sempre foi uma língua de difícil entendimento para a minha pessoa. Não tenho vergonha de dizer isso. Mas como jornalista profissional, tive que tentar aprender outras línguas para ganhar terreno no mercado. O inglês eu já dominava, culpa dos pais. Mas de espanhol eu não tinha a menor ideia. Tirando algumas palavras que são muito parecidas, e dá para entender até com o sotaque característico da língua e das regiões em que ela é falada, sempre foi difícil entender o idioma. Até o dia em que me aventurei num curso de espanhol e aprendi o básico. A partir daí tudo ficou mais fácil. Nessa onda de aprender outras línguas até me aventurei no chinês, mas isso já é uma outra estória.

Fiz todo esse rodeio para apresentar dois vídeos que me chamaram muito a atenção essa semana. Os dois são de esportes que eu gosto muito. Não só pela emoção que podem transmitir ao público, mas também pela emoção que um profissional de TV ou de rádio pode transmitir narrando essas modalidades. O narrador na TV ou o locutor no rádio são a alma da transmissão de um evento esportivo. São eles que “manipulam” a emoção do espectador. Eu não gosto do Galvão Bueno hoje, diga-se de passagem, mas já gostei alguns anos atrás, quando ele ainda não era o cara mais inteligente do planeta... porque agora ele está insuportável, total dono da razão e da verdade. Mas isso também é conversa para outra hora. A verdade é que o Galvão deveria aprender um pouco com os narradores espanhóis.

Seguem os dois vídeos que me emocionaram essa semana. Ambos narrados em espanhol. Chorei de rir com o primeiro e fiquei boquiaberto com o segundo. Reparem bem as narrações... divirtam-se:


segunda-feira, 21 de março de 2011

Gordinho Zangief

Muitos de vocês já viram este vídeo:



O que poucos viram foi a repercussão:



Estória tocante em especial porque foi feita exatamente para isso, de maneira apelativa. Achei bem legal a opinião do pai sobre o caso e senti falta "do outro lado" da estória - o do garoto magrinho

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