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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brasileirissimo!

O caso do Zagueiro Breno (ex-São Paulo) me fez pensar sobre uma série de questões. Abordando o tema sob um aspecto geral, a primeira questão que me vem à cabeça foi, sem dúvida, a demonstração da capacidade brasileira de formar centenas de jogadores de futebol em detrimento da incapacidade de formar seres humanos honestos e responsáveis.

Fiz questão de deixar claro que até o momento não falo deste caso específico porque, ao contrário da imprensa brasileira, não acho que daqui do Brasil e em tão pouco tempo já estamos habilitados a saber se Breno é culpado ou não por ter ateado fogo em sua própria casa.

Segundo a Promotoria alemã, o cara tava em casa, na maior depressão ou com qualquer outro problema e resolveu atear fogo na sua casa com suas coisas dentro. Acho que todo mundo sabe que ninguém pode fazer isso, mas eu acho engraçado como uma parte obscura de mim fica pensando “Porra, o bagulho era tudo dele, ele não colocou ninguém em perigo de vida, porque caralho ele não pode ficar puto e queimar a porra toda?” Mas depois eu recupero a razão e me dou conta de que as coisas não podem ser assim.


Um fato que me deixou um pouco irritado é a maneira como essa notícia (e qualquer outra) é veiculada pelos meios de comunicação. Jornalistas vivem apontando o dedo para culpados, ainda que nem mesmo a Justiça Alemã tenha definido um e sobra até mesmo para quem está próximo ao sujeito.

Como assim?! Explico: Hoje abri o site do Globoesporte.com e leio a seguinte notícia: "Em hotel pago pelo Bayern (clube de futebol que Breno jogava), esposa de Breno não volta ao Brasil agora".

Os jornalistas - ao invés de exaltarem o suporte que a família recebeu, ou enaltecer o fato do clube não deixar a eventual conduta criminosa de Breno ultrapassar a pessoa do acusado - preferem tratar a esposa do sujeito como uma aproveitadora, uma usurpadora. Mas por quê? Não sei o que leva alguns jornalistas a abordarem a questão sob este enfoque. Só acho que, se perguntados, muitos desses profssionais dirão “Porque senão não vende...”.

O negócio de todo mundo é vender, não importa a troco de quê e da dignidade de quem. Se você não tiver/fizer dinheiro, você é um fracassado. Pensando bem, talvez sejam esses valores que os craques brasileiros estão levando lá para fora. Talvez esses mesmos valores não estejam sendo suficientes para os manterem por lá.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Voto distrital

Fazem umas duas semanas que saiu na Revista Veja uma bela reportagem falando sobre o voto distrital.
Você pode até pensar que só o fato de ter saído na Veja já é motivo o suficiente para que eu não devesse ler porra nenhuma, mas como sei que a carta capital faz a mesmíssima coisa com uma opinião política invertida e no fim das contas, tem textos muito mais longos e chatos, eu continuo lendo a veja e suas matérias PMDBistas porque é a única que tem de graça aqui em casa!!!
O fato é que a reportagem era realmente boa, falando sobre 10 benefícios de adotar o voto distrital no Brasil.
Sempre fui do tipo contra política. Nunca me envolvi por achar que a corrupção embebia tudo o que era relacionado e por isso me enojava. Isso não mudou, a corrupção continua espalhada por todos os cantos, mas eventualmente vejo umas ilhas de possibilidade de melhoria que podem ser alcançadas. São coisas tão óbvias que os políticos brasileiros chegariam a ter vergonha de votar contra numa votação aberta, como por exemplo a lei de responsabilidade fiscal e o voto distrital.

Até ler a reportagem, o que eu conhecia de voto distrital resumia-se a um conhecimento parcial sobre o fato de que o Bush, lá na casa do Tio Sam, levou uma eleição sem ter a maior quantidade de votos da população em função do voto distrital. Portanto não gostava.
Mas quando li a reportagem, fiquei convencido de que aquilo ia mudar a forma de eleição no Brasil. Posso ter sido manipulado? Sim, mas e daí. Como disse Tio Chico Anysio e antes ainda o matemático Pascál, "não me envergonho de mudar de idéia porque não me envergonho de pensar"!
Até hoje, não me envergonho de dizer que nunca tinha votado num vereador até as eleições passadas. Para deputado estadual, não me lembro de ter votado em ninguém. Ever. Aliás, na maior parte das vezes, anulava todos os meus votos para tudo o que comece com deputa...
No voto distrital, poderei acompanhar o que esse cara em que votei está fazendo pelo meu distrito. E cobrar. Como já disseram os americanos há mais de dois séculos para a Inglaterra: "there is no taxation without representation". Então até hoje essa foi minha forma de protestar, já que não dá pra parar de pagar os impostos!

Sendo assim, convido você a ir na página dessa ONG (http://www.euvotodistrital.org.br/) que tem uma boa assessoria de imprensa, muito provavelmente financiada pelo PMDB e pela Veja e assinar o pedido de voto distrital.

Eu assinei. Não sou PMDBista, PTista ou de qualquer outro partido. Sou apenas uma preá que já levou muita paulada na cabeça e agora quer o seu voto para presidente em 2016!!!

Pra mais explicações sobre voto distrital, veja a propaganda:
http://www.youtube.com/watch?v=QF3mpXuSU9U&feature=youtu.be

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Era do Profissional-Torcedor

Há mais ou menos duas semanas atrás, a CBF adiou o jogo amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção de Gana por conta das reclamações dos times brasileiros que reivindicavam a presença de seus jogadores nos jogos do campeonato brasileiro. Principalmente dois clubes argumentavam que seus "craques" fariam falta em campo, já que os times disputavam as primeiras posições na tabela.

A CBF, sem o menor critério, adiou o jogo amistoso e remarcou uma ou outra partida do campeonato nacional. Os favorecidos nessa "transação" foram, principalmente, Corinthians e Flamengo, que na época ocupavam a primeira e segunda posição respectivamente. A imprensa do Rio e de São Paulo teve papel essencial nessa decisão do todo-poderoso Ricardo Teixeira. Não esqueçamos que grande parte dos jornalistas desses estados torce para os dois times citados anteriormente.

Agora, depois de duas ou três rodadas, eu quero ver qual será a desculpa ou a queixa desses torcedores-profissionais, depois que Corinthians e Flamengo não mais ocupam a primeira e segunda posições, mas sim a terceira e a quinta. O argumento de que era um clássico importante porque definiria o primeiro colocado, além de ser um confronto direto, não pode mais ser usado.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tailândia 5 x 0 Brasil

Vida boa em Phuket, na Tailândia




Brasil e Tailândia têm atrações em comum. Mas, na hora das férias, os europeus preferem a segunda. Por quê?

O preço do voo entre as capitais europeias e Bangcoc ou entre essas mesmas cidades e São Paulo é quase idêntico. As distâncias também se equivalem. As atrações são compatíveis: praias maravilhosas, florestas, balada, comida boa e farta, gente receptiva, calor.

Mas converse com qualquer inglês ou sueco de classe média recém-saído da puberdade. Ele provavelmente já terá ido cinco vezes à Tailândia (e também ao Laos, ao Vietnã, ao Camboja). Já o Brasil é um sonho improvável.

Eu me limitarei a tratar do tipo de gringo que gostaria de ir ao Brasil, mas o vê como um sonho distante (apesar de já ter ido oito vezes à Tailândia). Por que isso acontece? Algumas razões...

É mil vezes mais fácil se deslocar de um lugar a outro na Tailândia. Toda pousada, agência de viagem e até restaurante é capaz de vender um tíquete combinado de barco, ônibus, avião, trem ou van que faz com que você seja conduzido ao seu destino sem precisar queimar nem um neurônio sequer.

O conforto dos veículos pode variar de ótimo a sofrível, e os imprevistos também acontecem, mas você chega. Já no Brasil...

1) Os aeroportos são modernos, funcionam realmente e companhias de baixo custo, como Air Asia e Nok Air, cobrem o país todo e têm tarifas realmente baixas. Já no Brasil...

2) Por mais difícil que seja encontrar alguém que fale inglês fluentemente, a maioria das pessoas que lida com turistas sabe o básico.

3) Qualquer bangalô no meio do mato presta serviços que lhe permitem passar a vida inteira por lá se você quiser: cama, comida, lavanderia, bar, aluguel de snorkel, câmbio, agendamento
de passeios, táxi, internet.

E para completar, mais dois fatores que, sozinhos, já justificariam a opção Tailândia:

4) É um país seguro. O pior que pode acontecer a um turista é ter a carteira batida ou pagar comissões homéricas a um agente, coisas que podem ser evitadas com um pouco de cuidado e malícia.

5) O Brasil está caro até para os gringos. Na Tailândia, gastei R$ 60 em média, por dia, com estadia, comida, transporte e passeios. Novamente: R$ 60.

Por essas e outras, não tive como argumentar quando um casal luso-belga me disse que, agora que conheceram a Tailândia, pensam em nunca mais voltar ao Brasil.

Por: Adriana Setti | Foto: David R. Frazier Photolibrary; Inc./Alamy

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Distribuição de filmes no Brasil

O jornal “O Globo” traz uma matéria sobre a mais nova “queridinha” do cinema Hollywoodiano, Natalie Portman. Sempre fui apaixonado por esta excelente atriz que tem um tipo de beleza único, que gosto de chamar de “palpável”. Acredito seriamente que a qualquer momento posso cruzar com Natalie em qualquer esquina ou que qualquer homem é capaz de conquistá-la.


A notícia boa (e ruim) é que Natalie Portman poderá ser vista ao menos quatro vezes nesse ano de 2011 por nós, brasileiros. A primeira aparição se dará em fevereiro, com o filme “Cisne Negro” que conta a estória de uma bailarina obcecada pela perfeição. Depois, com o filme “Sexo sem compromisso” cujo roteiro – a julgar pelo nome do filme - deve ser bem previsível. Em Abril, sai “Thor” sobre o herói (mais gay) dos quadrinhos. E, finalmente, “Your Highness”, uma comédia satirizando as aventuras medievais.

Confesso que não conheço em detalhes como funcionam os bastidores do cinema, mas sei que para que os filmes estrangeiros sejam exibidos no Brasil é preciso que haja uma distribuidora que, dentre outras coisas, avaliará se haverá público interessado em assistir aquela película.

A distribuição dos filmes internacionais que são exibidos no Brasil ainda engatinha enquanto desafia todo aquele papo do surgimento de uma aldeia global – que significa uma menor distância entre as culturas. Ocorre que alguns filmes têm estréia concomitante com a estréia internacional e outros podem demorar até anos para chegar. Isto faz com que nós fiquemos sem poder acompanhar “de perto” nossos diretores e atores.

Além disso, há um problema maior: o desgaste natural da imagem de uma atriz com o público caso ela faça diversos papéis num curto espaço de tempo. Lá fora as pessoas parecem se preocupar com isso (inclusive os próprios atores, que muitas vezes ficam meses sem trabalhar), mas aqui dentro ninguém parece realmente se importar com isso.

Natalie estréia nos EUA com outros dois filmes: “The other woman” e “Hesher”, filmes estes que podem ser trazidos ao Brasil ainda este ano ou não, dependendo da (in)competência tupiniquim.

Trailer do “Your Highness”


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Imagem Manchada?

Essa é para se ter uma idéia de como está à imagem de nós, brasileiros, na Europa. Eu estava assistindo “América”, um filme português no Festival de Cinema do Rio. A Ficção trata de um grupo de falsificadores de passaporte e outros documentos. Cada membro da equipe tem uma função determinada.

O brasileiro (que veste uma camisa do Flamengo) é o responsável pela organização da fila na hora que chega vans e mais vans cheias de imigrantes interessados em comprar documentos “frios”.

Logo que ele vê aquela multidão, o brasileiro já começa a gritar:

“Porra, com tanta coisa para vocês escolherem ser, vão querer virar logo português”?

Depois, o falsificador brasileiro tenta organizar uma fila:

“Todos os Africanos para o final da fila”

E, enquanto os africanos seguem sua ordem, ele já solta outro grito:

“Tem algum brasileiro aí”?

Um sujeito levanta a mão. Ele olha o sujeito e grita novamente:

“Vá para trás dos africanos”!

Tudo bem que uns vão me dizer que não passa de ficção, e eu mesmo ri na hora e não vou brigar com nenhum português por causa disso, mas é aquela estória: Toda mentira tem um fundo de verdade...

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