Muitas pessoas são assaltadas todos os dias. Outras tantas assassinadas. Nada mais natural que o “cidadão comum” se incomode ao saber que isso ocorre sempre e só quando alguém famoso / importante é assassinado ou assaltado é que isso vira notícia e as autoridades resolvem tomar providências.
Talvez esse incômodo nos leve a refletir se o assalto que seu amigo sofreu no mês passado será investigado pela Polícia com o mesmo afinco que o assalto ao Zagallo. É humano nos questionar se o assassinato da juíza na semana passada será averiguado com o mesmo cuidado que o homicídio de um “cidadão comum” que reagiu a um assalto, por exemplo.
A resposta é negativa. É lógico que certas pessoas que se destacam em determinadas áreas tem uma atenção maior não só da Polícia, mas de todo Poder Público. Ou você acha que o fiscal verifica com a mesma severidade seu Imposto de Renda e o do Ricardo Teixeira?
Asseguro-lhes que Juízes e o Ministério Público não descansarão enquanto o homicídio da magistrada Patricia Acioly não for desvendado, até porque eles consideram que tal ato foi uma afronta a própria Instituição que representam.
Não é justo que haja tratamentos diferentes para crimes que tiveram resultados iguais. A juíza morreu porque investigava e punia “maus policiais”. Temos 21 motivos, 2 carros e 2 motos para acreditar que foi crime premeditado e se tratava de queima de arquivo. O fulano que reagiu a um assalto teve outra conduta, mas o mesmo resultado: a morte.
Num Estado Democrático de Direito, o mínimo que se espera de um juiz é que ele tenha a liberdade – mais que liberdade, eu diria que é um dever de sua função – de averiguar provas e punir, se necessário, QUEM QUER QUE SEJA pelo cometimento de um delito.
Mas, ao invés achar que ela morreu porque “estava devendo” ou ficarmos fazendo julgamentos antecipados, a sociedade deveria fazer como as instituições que mencionei agora (Os Magistrados e o Ministério Público) e GRITAR a cada vez que um crime como o homicídio acontece com um “cidadão comum”.
Como bem disse Ricardo Boechat, infelizmente "somos uma sociedade de merda" e, ao invés de ficarmos horrorizados com o assassinato de uma juíza, ou nos sentirmos impotentes diante das atrocidades que se comete ao cidadão comum, esperamos que o homicídio de uma juíza tenha a mesma punição que todos os outros, ou seja, nenhuma punição.
Não está errado que se investigue atentamente o assassinato de uma juíza. O que está errado é a impunidade que ocorre nos atos dos que atacam as pessoas comuns.

